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Estado de Minas PANDEMIA

Ataque ao conhecimento � a maior amea�a global na era da p�s-verdade, diz pesquisadora

Especialista de Cambridge explica o que � a seguran�a epist�mica, que depende de os cidad�os confiarem nas informa��es seguras dispon�veis para prevenir grandes cat�strofes, como futuras pandemias ou aquecimento global.


28/03/2021 06:51 - atualizado 28/03/2021 12:06


Enfrentar futuras pandemias pode ser mais difícil se ninguém acreditar em nada do que lê ou vê(foto: Getty Images)
Enfrentar futuras pandemias pode ser mais dif�cil se ningu�m acreditar em nada do que l� ou v� (foto: Getty Images)

A pandemia de covid-19 deixou uma coisa clara: � muito dif�cil coordenar o comportamento de uma sociedade inteira — mesmo quando se trata de uma quest�o de vida ou morte.

Pense na rea��o das pessoas � vacina��o. Para que o mundo derrote o novo coronav�rus, a maioria da popula��o precisa concordar em tomar a vacina, e poucos governos democr�ticos optariam por torn�-la obrigat�ria.

No entanto, ainda existe uma hesita��o significativa em rela��o � vacina no mundo todo. Se esse grupo fosse grande o suficiente, uma das nossas rotas mais promissoras para acabar com a pandemia estaria comprometida.

A recusa desses indiv�duos afetaria todo mundo, at� quem foi vacinado.

Esse tem sido um tema recorrente na pandemia: em v�rios momentos, autoridades de sa�de p�blica e pol�ticos tentaram persuadir as pessoas a adotar comportamentos que beneficiam tanto a si pr�prias quanto suas comunidades, desde o distanciamento social at� o uso de m�scaras.

Muitas pessoas aderiram, mas algumas foram mais resistentes �s recomenda��es. Informa��es falsas sobre vacinas e m�scaras, tratamentos ineficazes e rumores infundados sobre as origens da covid-19 tornaram extremamente dif�cil coordenar o comportamento dos cidad�os.

Esta resposta fragmentada a um grande evento mundial demonstra uma tend�ncia preocupante que � um mau press�gio para outras crises que poderemos enfrentar no s�culo 21, de futuras pandemias �s mudan�as clim�ticas.

Na era da p�s-verdade, est� se tornando cada vez mais dif�cil garantir que todos estejam bem informados. Em outras palavras, mesmo que estivesse claro como salvar o mundo, um ecossistema de informa��es degradado e n�o confi�vel poderia impedir que isso acontecesse.


Há várias tipos diferentes de segurança %u2014 mas devemos estar atentos mais do que nunca à 'segurança epistêmica', segundo especialistas(foto: Getty Images)
H� v�rias tipos diferentes de seguran�a %u2014 mas devemos estar atentos mais do que nunca � 'seguran�a epist�mica', segundo especialistas (foto: Getty Images)

Em um relat�rio recente (em ingl�s) publicado pelo Instituto Alan Turing, no Reino Unido, meus colegas e eu argumentamos que essa mudan�a � nada menos do que uma amea�a � pr�pria seguran�a global.

Os termos "seguran�a nacional" ou "ciberseguran�a" s�o familiares. Mas defendemos que mais aten��o deve ser dada � "seguran�a epist�mica" — porque sem ela, nossas sociedades perder�o a capacidade de responder aos riscos mais graves que enfrentaremos no futuro.

Se a seguran�a dom�stica diz respeito a garantir que nossos pertences est�o seguros, a seguran�a financeira se prop�e a manter nosso dinheiro seguro, e a seguran�a nacional trata de manter nosso pa�s seguro, ent�o seguran�a epist�mica significa manter nosso conhecimento seguro.

Episteme � um termo filos�fico grego que significa "saber". A seguran�a epist�mica, portanto, envolve a garantia de que realmente sabemos o que sabemos, que podemos identificar alega��es sem fundamento ou que n�o s�o verdadeiras, e que nossos sistemas de informa��o s�o robustos a "amea�as epist�micas", como not�cias falsas.

Em nosso relat�rio, analisamos potenciais contra-medidas e �reas de pesquisa que podem ajudar a preservar a seguran�a epist�mica em sociedades democr�ticas.

Mas neste artigo, vamos examinar quatro tend�ncias principais que exacerbaram o problema e tornaram cada vez mais dif�cil para as sociedades responderem a desafios e crises urgentes:

1. Escassez de aten��o

No s�culo 13 — bem antes da inven��o da imprensa na Europa —, estudiosos j� reclamavam da sobrecarga de informa��es. Em 1255, o dominicano Vicente de Beauvais escreveu sobre "a infinidade de livros, a falta de tempo e os deslizes da mem�ria".

No entanto, a internet tornou quantidades enormes de informa��es dif�ceis de verificar mais facilmente acess�veis do que nunca. � complicado filtrar que boatos s�o verdadeiros e quais n�o s�o. Nossa capacidade limitada de aten��o � simplesmente muito dispersa.

A abund�ncia de informa��es e as limita��es de aten��o criaram uma "economia da aten��o" feroz, na qual governos, jornalistas, grupos de interesse, entre outros, precisam competir por visualiza��es.

Infelizmente, algumas das estrat�gias mais eficazes para chamar a aten��o apelam para as emo��es e cren�as existentes das pessoas, e essas fontes s�o ambivalentes quanto � verdade.

2. Filtro bolha e racionalidade limitada

Uma consequ�ncia particularmente preocupante da economia da aten��o � a forma��o de filtros bolha, em que as pessoas s�o expostas sobretudo �s suas pr�prias cren�as, e pontos de vista divergentes s�o filtrados.

Diante da sobrecarga de informa��es, as pessoas preferem naturalmente prestar mais aten��o a indiv�duos com a mesma mentalidade que pertencem a suas pr�prias comunidades do que a desconhecidos de fora.

Por meio das plataformas de rede social, � mais f�cil do que nunca formar e fazer parte de comunidades unificadas por cren�as e valores compartilhados.

A consequ�ncia epist�mica dos filtros bolha � chamada de "racionalidade limitada". Se o acesso � informa��o � a base do bom racioc�nio e da tomada de decis�o, ent�o limitar o acesso de algu�m a informa��es potencialmente relevantes, ao ficar entrincheirado em filtros bolha, limitar� a capacidade de raciocinar bem.

3. Advers�rios e desajeitados

� mais f�cil do que nunca distribuir e acessar informa��es. A desvantagem � que essas mesmas tecnologias tamb�m tornam mais f�cil para as pessoas espalhar informa��es falsas ou enganosas — seja intencional ou acidentalmente.

Atores (indiv�duos, organiza��es ou Estados) que manipulam informa��es intencionalmente para confundir ou enganar os destinat�rios de forma maliciosa, a fim de lev�-los a cren�as falsas, s�o chamados de "advers�rios".

Os advers�rios organizam "ataques" para incitar as pessoas a agirem com base em informa��es enganosas ou falsas. Por exemplo, uma campanha pol�tica pode usar a tecnologia deepfake para produzir v�deos incriminat�rios de outros candidatos a fim de manipular os resultados das elei��es a seu favor.

Por outro lado, os atores que espalham cren�as falsas ou pouco fundamentadas de forma bem-intencionada ou acidental s�o chamados de "desajeitados".

Por exemplo, um pesquisador de vacinas cauteloso com os efeitos colaterais e desconfiado da autoridade m�dica pode fazer um coment�rio bem-intencionado, mas ligeiramente alarmista, durante uma entrevista, que pode ent�o ser captado e divulgado nas redes sociais, instigando uma ampla campanha antivacina��o.

3. Eros�o da confian�a

Os humanos desenvolveram t�cnicas naturais para decidir quando confiar nos outros.

Por exemplo, temos mais probabilidade de confiar em algu�m se um grande n�mero de pessoas acredita nessa pessoa, e estamos ainda mais dispostos a acreditar em uma pessoa que � membro da nossa pr�pria comunidade — um sinal de que ela possui valores e interesses semelhantes aos nossos.


As pessoas são mais propensas a acreditar nos membros de suas próprias comunidades do que em estranhos(foto: Guillermo Arias/Getty Images)
As pessoas s�o mais propensas a acreditar nos membros de suas pr�prias comunidades do que em estranhos (foto: Guillermo Arias/Getty Images)

Tamb�m usamos linguagem corporal, entona��o vocal e padr�es de fala para julgar a honestidade. Essas estrat�gias s�o pass�veis de falha, mas, em geral, t�m servido bem aos seres humanos.

No entanto, as tecnologias de informa��o modernas podem minar esses artif�cios. Por exemplo, o surgimento de filtros bolha pode tornar as opini�es de minorias muito mais vis�veis, parecendo que s�o muito mais amplamente aceitas do que realmente s�o.

Embora algumas perspectivas minorit�rias devam se tornar mais vis�veis, h� um problema quando narrativas perigosas e extremistas parecem muito mais convencionais do que realmente s�o.

Algumas tecnologias tamb�m interferem na nossa tend�ncia subconsciente de procurar sinais de honestidade e falta de sinceridade nos padr�es vocais e na linguagem corporal.

Discursos gerados artificialmente ou v�deos deepfake n�o s�o afetados pelos pequenos sinais que nos avisam quando algu�m est� mentindo.

O que tudo isso significa?

Para aqueles que est�o dispostos a se esfor�ar, uma dieta rica e balanceada de imprensa est� mais acess�vel do que nunca.

No entanto, estar bem informado � muitas vezes um privil�gio de tempo e recursos pelo qual a maioria das pessoas n�o pode pagar facilmente.

Portanto, quando se trata de enfrentar desafios complexos como a covid-19 — desafios que exigem tomada de decis�o oportuna e a coordena��o de ampla a��o coletiva — � importante lembrar que recomenda��es sensatas de sa�de p�blica e vacinas seguras n�o s�o suficientes.

As pessoas tamb�m t�m que acreditar nas solu��es e em quem as oferece.

Em nosso relat�rio, analisamos algumas das poss�veis consequ�ncias se n�o agirmos. Um dos piores cen�rios � o que chamamos de "balbucio epist�mico". Nesse futuro, a capacidade da popula��o em geral de diferenciar entre a verdade e a fic��o se perde completamente.

Embora as informa��es estejam facilmente dispon�veis, as pessoas n�o sabem dizer se algo que veem, leem ou ouvem � confi�vel ou n�o. Ent�o, quando surgir a pr�xima pandemia, a coopera��o de toda a sociedade vai se tornar imposs�vel.

� uma ideia assustadora — mas a covid-19 mostrou que estamos mais perto disso do que poder�amos imaginar.

* Elizabeth Seger � pesquisadora da Universidade de Cambridge e do Centro Leverhulme para o Futuro da Intelig�ncia, no Reino Unido.

Leia a vers�o original desta reportagem (em ingl�s) no site BBC Future.


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O que � o coronav�rus

Coronav�rus s�o uma grande fam�lia de v�rus que causam infec��es respirat�rias. O novo agente do coronav�rus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doen�a pode causar infec��es com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte. 

Como a COVID-19 � transmitida? 

A transmiss�o dos coronav�rus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secre��es contaminadas, como got�culas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal pr�ximo, como toque ou aperto de m�o, contato com objetos ou superf�cies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.


Como se prevenir?

A recomenda��o � evitar aglomera��es, ficar longe de quem apresenta sintomas de infec��o respirat�ria, lavar as m�os com frequ�ncia, tossir com o antebra�o em frente � boca e frequentemente fazer o uso de �gua e sab�o para lavar as m�os ou �lcool em gel ap�s ter contato com superf�cies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Quais os sintomas do coronav�rus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas g�stricos
  • Diarreia

Em casos graves, as v�timas apresentam:

  • Pneumonia
  • S�ndrome respirat�ria aguda severa
  • Insufici�ncia renal
Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avan�am na identifica��o do comportamento do v�rus. 

V�deo explica por que voc� deve 'aprender a tossir'

Mitos e verdades sobre o v�rus

Nas redes sociais, a propaga��o da COVID-19 espalhou tamb�m boatos sobre como o v�rus Sars-CoV-2 ï¿½ transmitido. E outras d�vidas foram surgindo: O �lcool em gel � capaz de matar o v�rus? O coronav�rus � letal em um n�vel preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar v�rias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS n�o teria condi��es de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um m�dico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronav�rus.

Para saber mais sobre o coronav�rus, leia tamb�m:


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