A trag�dia provocada pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho torna premente que os tr�s poderes – Executivo, Judici�rio e Legislativo – deem respostas r�pidas � sociedade. N�o � poss�vel que, com tantos mortos e tantas fam�lias destru�das, se repitam o descaso, o protelamento, o jogo de empurra e os conchavos nos bastidores que sempre imperaram no pa�s para proteger o poder econ�mico. A popula��o n�o mais tolerar� esse tipo de comportamento.
Espera-se do Judici�rio agilidade no julgamento dos processos contra a mineradora. Como se sabe, passados mais de tr�s anos do desastre provocado pela companhia em Mariana, ningu�m foi punido. As indeniza��es �s v�timas continuam empacadas. Com uma banca de advogados car�ssimos, a Vale adia ao m�ximo as decis�es nos tribunais.
Acredita que, dessa forma, o crime prescrever� e nada ser� pago.
A sensa��o de impunidade, por sinal, est� por tr�s da repeti��o da trag�dia, agora muito mais violenta – � poss�vel que os mortos no vale de lama passem dos 300. Como domina os meandros da Justi�a, a mineradora n�o se preocupou em adotar medidas de seguran�a que pudessem evitar o rompimento da barragem de Brumadinho. � essa postura arrogante – n�o s� da Vale, ressalte-se – que precisa ser defenestrada pelos tribunais.
Do Legislativo, a demanda � simples: pede-se agilidade na vota��o dos projetos que est�o parados pelo lobby fort�ssimo das mineradoras. H� v�rias propostas no sentido de apertar as regras para a concess�o de explora��o do solo do pa�s e de tornar ainda mais r�gida a fiscaliza��o. Mas nada anda. Todas as tentativas nesse sentido s�o frustradas por movimentos de deputados e senadores, sob a alega��o de que mais amarras podem inviabilizar as empresas, grandes geradoras de empregos e impulsionadoras do Produto Interno Bruto (PIB).
Com rela��o ao Executivo, � importante que saia do discurso para a pr�tica. E que um caso t�o dram�tico n�o seja tratado com vi�s ideol�gico. � not�rio que o atual governo sempre se mostrou contr�rio � ado��o de mecanismos mais r�gidos para a prote��o do meio ambiente. Falou-se muito, at� mesmo, sobre a retirada de poderes do Ibama, apontado como um entrave para o desenvolvimento ao dificultar a concess�o de licen�as ambientais.
O que se est� vendo em Brumadinho n�o s� refor�a a import�ncia de �rg�os reguladores fortes, como exige a��es concretas para punir, de forma efetiva, todos os que transgridem as leis. N�o � poss�vel que o pa�s continue sendo obrigado a assistir, de tempos em tempos, a pessoas morrerem vitimadas pela omiss�o do Estado. O Brasil precisa dar mostras efetivas de que os interesses da sociedade, da maioria, est�o acima de tudo.
