A crise ainda n�o acabou na Europa, o desemprego continua em alta, especialmente no Sul do continente, mas h� quem enxergue em um futuro pr�ximo o ajustamento das economias europeias sem a presen�a do Fundo Monet�rio Internacional (FMI), o credor externo que juntamente com o Banco Central Europeu (BCE) e a Comiss�o Europeia (CE) formam a Troika, grupo de institui��es fiadoras de Portugal, da Gr�cia, Irlanda e do Chipre.
Esta semana, o presidente da CE, Jos� Manuel Dur�o Barroso, disse que no futuro haver� "mais do que condi��es, se os governos quiserem, para que as institui��es europeias assumam a plenitude de suas responsabilidades”. Para o presidente de Portugal, An�bal Cavaco Silva, “o objetivo do FMI est� muito voltado para a estabiliza��o financeira. Na Uni�o [Europeia], n�s temos objetivos de desenvolvimento harmonioso, de coes�o e de crescimento econ�mico”, disse, ao diferenciar o FMI da CE e do BCE.
O analista lembrou ainda que foi a zona do euro que mandou Portugal (entre outros) bater na porta do fundo. “Se o FMI sair da Troika, essa sa�da deve, supostamente, for�ar a zona do euro a assumir mais responsabilidades e a conceder mais cr�dito aos pa�ses-membros em dificuldade. Veremos se isso acontecer�”, ressaltou.
Para o economista Jo�o C�sar das Neves, professor da Universidade Cat�lica de Lisboa, a presen�a do FMI na Troika d� mais respaldo aos programas de ajuda financeira. “O FMI tem tido uma liberdade muito maior que os outros dois [o BCE e a CE], que s�o entidades pol�ticas e internas da Europa, enquanto o fundo � uma entidade externa e supranacional, e tem liberdade”, disse � Ag�ncia Brasil, acrescentando que a autonomia do credor externo “deixa os pol�ticos um pouco aflitos”.
Em Portugal, se tudo correr conforme memorando de entendimento, a sa�da do FMI e de toda a Troika dever� ocorrer em meados de 2014, com o fim do programa de ajustamento. No entanto, tendo em vista a recess�o, h� quem defenda em Portugal a dilata��o de prazos e de metas (como o equil�brio de receita e gasto p�blico), o que pode significar a prorroga��o da interven��o dos credores na economia lusitana e mais endividamento. “N�o � grave se o ajustamento acabar em 2015, 2016 ou at� 2017. O que � importante � que os credores internacionais acreditem que de fato h� um esfor�o real e uma mudan�a de atitude dos portugueses”, ressaltou Neves. Ele ponderou que “mais um ano ou dois de ajustamento vai gerar mais d�vida e pesar mais no futuro”.
Em termos ideais, o programa de ajustamento deveria acabar quando o pa�s retomasse o crescimento de forma sustent�vel, com a economia reestruturada. “A ideia do ajustamento � aumentar o peso dos bens export�veis. Esse aumento ser� desej�vel para a agricultura, ind�stria transformadora e os servi�os. Mas, em Portugal, o setor de bens n�o transacion�veis [como infraestrutura e patrim�nio] continua a ser privilegiado e, por isso, � improv�vel que nos pr�ximos anos venha a perder terreno”, prev� Lu�s Salgado de Matos.
Jo�o C�sar das Neves � mais otimista e avalia que “est� havendo transforma��o da estrutura produtiva portuguesa desde o princ�pio da crise em 2008”, antes do ajustamento acertado entre o governo e a Troika. Segundo ele, “n�o � na ind�stria e nem na agricultura que est� o dinamismo da economia atual. Todo mundo est� a voltar-se cada vez mais para os servi�os. At� mesmo nos produtos agr�colas e da ind�stria o componente servi�o est� presente”.
