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Estado de Minas GOLPE DE ESTADO

Freiras de Mianmar se ajoelham e enfrentam a junta militar

Ex�rcito e pol�cia n�o hesitam em usar muni��o real desde que come�aram as manifesta��es pac�ficas contra o golpe de Estado


09/03/2021 10:34 - atualizado 09/03/2021 11:45

(foto: HANDOUT / MYITKYINA NEWS JOURNAL / AFP)
(foto: HANDOUT / MYITKYINA NEWS JOURNAL / AFP)
"N�o atirem contra as crian�as!". A irm� Ann Rose Nu Twang se ajoelha, abre os bra�os em cruz e implora �s for�as birmanesas. Em v�o, no mesmo dia, 8 de mar�o, tr�s manifestantes pr�-democracia foram mortos.

N�o se sabe com certeza de onde vieram os tiros, mas a pol�cia e o ex�rcito n�o hesitam em usar muni��o real desde que come�aram as manifesta��es pac�ficas contra o golpe de Estado que derrubou o governo civil de Aung San Suu Kyi, em 1º de fevereiro.

Neste 8 de mar�o, centenas de pessoas, principalmente membros da etnia Kachin, tomaram as ruas de Mytkyina (norte), palco de manifesta��es desde o golpe. Entre os manifestantes, havia in�meras birmanesas que se manifestavam pelo Dia Internacional da Mulher.

Mas no in�cio da tarde, o ambiente se degradou. A pol�cia e o Ex�rcito lan�aram g�s lacrimog�neo e bombas de efeito moral para tentar dispersar a multid�o, que responde lan�ando proj�teis. Ao longe, � poss�vel ouvir v�rias explos�es.

Os manifestantes se protegem atr�s de barricadas erguidas �s pressas com folhas, placas de madeira e tijolos.

Entre a multid�o, a freira Ann Rose Nu Twang, de 45 anos, se aproxima das for�as de seguran�a.

Ela se ajoelha e dois policiais fazem o mesmo, juntando suas m�os em sinal de respeito pela religiosa. J� outros permanecem indiferentes, de acordo com imagens divulgadas por um ve�culo local, o Myitkyina News Journal.

"Eu supliquei que n�o atirassem [...], que em vez disso me matassem. Levantei as m�os em sinal de perd�o", conta a freira � AFP.

"N�o tive medo"


N�o muito longe do local, outro grupo de policiais come�ou a atirar, conta.

Algumas imagens divulgadas nas redes sociais mostram manifestantes im�veis e cobertos de sangue. Um deles est� estirado de bru�os no ch�o, com a cabe�a meio arrancada.

"Foi um momento de p�nico. Estava no meio e n�o podia fazer nada", explica, apesar de ressaltar: "n�o tive medo".

Outras duas freiras chegam para apoi�-la. "Parem, est�o torturando e matando as pessoas. � por isso que as pessoas est�o com raiva e protestam", diz uma delas.

Tr�s manifestantes morreram. Nesta ter�a-feira, uma das v�timas, Zin Min Htet, foi enterrada e uma multid�o compareceu para prestar uma �ltima homenagem, reunindo-se em volta de seu caix�o, coberto de flores, e fazendo a sauda��o dos tr�s dedos, s�mbolo da resist�ncia.

O ato de coragem de Ann Rose Nu Twang foi muito compartilhado nas redes sociais do pa�s, que � majoritariamente budista.

Em 28 de fevereiro, a religiosa havia chamado a aten��o ao ficar de joelhos em frente �s for�as de seguran�a para pedir prud�ncia.

Ao menos 60 civis perderam a vida desde o golpe e mais de 1.800 foram detidos, segundo a Associa��o de Assist�ncia aos Presos Pol�ticos.

O Estado nega qualquer envolvimento da pol�cia ou do ex�rcito na morte dos civis, e defende que as for�as de seguran�a devem "conter os dist�rbios tal e como dita a lei".


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