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Estado de Minas PANDEMIA

Variante Mu: o que se sabe sobre linhagem do coronav�rus e os casos no Brasil

J� identificada no Brasil mas por enquanto carente de mais estudos, Mu � tratada pela OMS como uma 'variante de interesse'; veja o que j� existe de concreto sobre ela.


07/09/2021 21:00 - atualizado 07/09/2021 21:00

Paciente de covid-19 em Bogotá, Colômbia, em foto de junho; terceira onda da pandemia no país foi atribuída à variante Mu, identificada ali em janeiro de 2021
Paciente de covid-19 em Bogot�, Col�mbia, em foto de junho; terceira onda da pandemia no pa�s foi atribu�da � variante Mu, identificada ali em janeiro de 2021 (foto: Reuters)
H� pouco mais de uma semana, uma variante do coronav�rus inicialmente identificada em janeiro na Col�mbia entrou para a lista de linhagens do Sars-CoV-2 sob monitoramento da Organiza��o Mundial da Sa�de (OMS).

 

A variante Mu (ou B.1.621) passou a ser considerada "variante de interesse" pela OMS, por ter "uma constela��o de muta��es que indicam propriedades potenciais de escape da imunidade", ou seja, da prote��o das vacinas - o que ainda precisa ser confirmado por mais estudos, segundo o boletim da organiza��o divulgado em 31 de agosto.

 

A Mu �, por enquanto, apenas uma "variante de interesse" sendo monitorada pela OMS - j� as variantes Alpha, Beta, Gamma (a identificada no Brasil) e Delta s�o consideradas "variantes de preocupa��o".

 

"Desde que foi identificada na Col�mbia, em janeiro de 2021, houve alguns registros espor�dicos de casos da variante Mu e alguns surtos maiores foram relatados em outros pa�ses da Am�rica do Sul e na Europa", diz o boletim da OMS.

 

Por enquanto, prossegue a ag�ncia intergovernamental, a preval�ncia da Mu � de menos de 0,1% entre os casos sequenciados de coronav�rus em todo o mundo.

Mas, localmente, sua preval�ncia tem "aumentado constantemente" na Col�mbia e no Equador, onde responde por - respectivamente - 39% e 13% dos casos sequenciados. Esses dados, por�m, devem ser lidos com cautela, diz a OMS:

 

como a maioria dos pa�ses do mundo tem baixa capacidade de monitorar o sequenciamento gen�tico das variantes da covid-19, o resultado das testagens existentes pode n�o ser t�o estatisticamente representativo da popula��o em geral.

 

Estima-se no momento que a Mu circule em mais de 40 pa�ses, no Brasil inclusive - j� h� relatos de casos confirmados por aqui.

 

S Mas, segundo a plataforma aberta Gisaid , que compila dados gen�micos virais, at� o momento, dez casos da Mu foram identificados no pa�s - de um total de quase 35 mil sequenciados, ou seja, casos em que o v�rus teve sua an�lise gen�mica realizada.

 

No M�xico, a Mu representa 1% dos casos sequenciados. Nos EUA, foram detectados mais de 1,7 mil casos sequenciados da Mu, o que � insuficiente para que essa linhagem tenha mais de 0% de preval�ncia no pa�s.


Sequenciamento genômico apontou avanço da Mu na Colômbia e em países como Equador, mas variante ainda representa só 0,1% dos casos sequenciados mundialmente
Sequenciamento gen�mico apontou avan�o da Mu na Col�mbia e em pa�ses como Equador, mas variante ainda representa s� 0,1% dos casos sequenciados mundialmente (foto: Getty Images)

J� na Col�mbia, autoridades de sa�de t�m afirmado � imprensa local que a Mu j� � a variante predominante em circula��o no pa�s, que por enquanto tem menos de um ter�o de sua popula��o vacinada contra o v�rus.

 

A terceira onda da covid-19 no pa�s sul-americano, entre abril e junho, tem sido atribu�da a essa variante.

 

Nesse per�odo, quando a Col�mbia registrou cerca de 700 mortes por dia, quase dois ter�os dos testes gen�ticos realizados nas v�timas fatais indicaram a presen�a da variante Mu, declarou a uma r�dio local, em 2 de setembro, Marcela Mercado, diretora de pesquisas do Instituto Nacional de Sa�de.

Delta ainda concentra as preocupa��es

O instituto colombiano apontou que a variante Mu tem demonstrado ter uma grande capacidade de transmiss�o.

 

� importante destacar que o surgimento de variantes � esperado dentro do ciclo de avan�o de um v�rus durante uma pandemia como a atual, principalmente em locais onde a circula��o desse v�rus ainda � alta. A maioria das muta��es tem pouco ou nenhum efeito nas propriedades do v�rus.

 

Mas, nesse processo, algumas variantes mais perigosas emergem - e por enquanto a Delta � a que mais desperta preocupa��o no mundo, por ter demonstrado uma grande capacidade de transmiss�o e j� ter sido identificada em cerca de 170 pa�ses.

 

No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, a Delta � considerada a variante predominante desde meados de agosto.

 

"Quando um v�rus se estabelece, come�a a haver uma competi��o entre as v�rias linhagens, ou tipos de v�rus. Isso favorece os tipos mais transmiss�veis e que geram mais casos, como tem sido com a Delta em todos os lugares por onde ela passou no mundo", explica � BBC News Brasil o doutor em microbiologia e divulgador cient�fico �tila Iamarino.

 

O que torna a Delta mais problem�tica, diz ele, � que pessoas infectadas com essa variante podem apresentar grandes quantidades de v�rus nas vias a�reas superiores (como nariz, boca e laringe) mais cedo do que teriam com a vers�o original do coronav�rus, mesmo que assintom�ticas. Com mais v�rus no corpo, essa pessoa pode transmiti-lo mais facilmente e ter seu sistema imunol�gico testado mais duramente. Por isso, detalha Iamarino, "a Delta infecta pelo menos o dobro do que o coronav�rus tradicional".

 

"Qualquer outra variante precisa competir com isso para poder predominar, e nenhuma delas fez isso at� aqui. (...) Independentemente se a variante vem aqui do lado (como o caso da Mu na Col�mbia) ou da �ndia, � quest�o de tempo para (uma variante t�o transmiss�vel como a Delta) predominar, como a gente viu acontecer."


Vacinação na Colômbia, em foto de agosto; uma das questões sendo estudadas é quanto a se a variante Mu consegue escapar mais facilmente da imunização
Vacina��o na Col�mbia, em foto de agosto; uma das quest�es sendo estudadas � quanto a se a variante Mu consegue escapar mais facilmente da imuniza��o (foto: Reuters)

O que causa alarme � o fato de a Delta ter avan�ado at� mesmo em pa�ses que j� t�m alta cobertura vacinal. O que n�o significa, por�m, que essa cobertura vacinal n�o tenha efeito, muito pelo contr�rio: quanto mais gente vacinada com duas doses (ou com vacina de dose �nica), menor a chance de as variantes surjam e encontrem terreno para proliferar.

 

"Apesar de pessoas com at� duas doses poderem contrair e transmitir a Delta, as vacinas ainda a barram muito bem", prossegue �tila Iamarino. "Ela � claramente preocupante, mas conseguimos barr�-la."

O que chama a aten��o na variante Mu

E quanto � variante Mu? Em artigo na plataforma acad�mica The Conversation , o professor de bioqu�mica da universidade Trinity College, na Irlanda, Luke O'Neill, resumiu o que faz com que essa variante tenha entrado no radar da OMS.

 

O'Neill explicou que, segundo estudos ainda em fase pr�-print (e que portanto ainda precisam passar por escrut�nio da comunidade cient�fica), a Mu tem uma muta��o chamada P681H, semelhante � observada na variante brit�nica Alpha e que potencialmente a torna mais transmiss�vel. "(Mas) n�o podemos ter certeza dos efeitos da P681H sobre o comportamento do v�rus at� o momento", escreveu O'Neill.

 

Outras muta��es da Mu tamb�m est�o associadas a uma maior capacidade de evadir os anticorpos criados contra o coronav�rus, continuou o pesquisador.

 

Nesse caso, a evid�ncia parece ser mais robusta. "Essas muta��es tamb�m ocorrem na variante Beta, e � poss�vel que a Mu se comporte como a Beta, contra a qual algumas vacinas s�o menos eficientes", detalhou.

 

O'Neill refor�ou a conclus�o da OMS de que a variante Mu ainda carece de mais estudos, para que possamos entender melhor seu comportamento e, portanto, seu perigo. "A epidemiologia da Mu na Am�rica do Sul, particularmente com a co-circula��o da Delta, ser� monitorada", escreveu a OMS em seu boletim.

 

At� 29 de agosto, afirmou a OMS, havia mais de 4,5 mil an�lises gen�micas confirmadas da variante Mu pelo mundo, identificadas nas quatro semanas anteriores e contabilizadas pela plataforma Gisaid.

 

Para �tila Iamarino, � importante continuar a monitorar variantes, como � o caso da Mu, mesmo que at� o momento elas n�o pare�am t�o amea�adoras quanto a Delta. � s� com esse tipo de monitoramento que saberemos, por exemplo, se alguma outra variante al�m da Delta conseguir� avan�ar em locais com altas taxas de vacina��o - algo que seria um "sinal de alerta muito grande", diz o microbiologista.

 

Uma vez que o avan�o maior da vacina��o no mundo consiga barrar melhor o avan�o da Delta, "pode ser que, l� na frente, outras variantes que nem sejam t�o transmiss�veis, mas que escapam da vacina��o, consigam predominar. Mas n�o � o caso at� aqui, em que a Delta predomina tanto em lugares que vacinaram muito como em lugares que vacinaram pouco", afirma Iamarino.

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