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Estado de Minas GELEIA URBANA

Detroit morreu j�: antes Detroit do que Beag�

Numa casa, quanto mais gente para dividir um bolo, maior o problema; numa cidade densa, � o contr�rio: quanto mais gente, mais o bolo cresce e os custos caem


28/09/2023 08:47
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Centro de BH, com barraca de morador na rua
Centro de BH, com barraca de morador na rua (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Outrora uma das cidades mais ricas e pujantes dos Estados Unidos, Detroit �, atualmente, terra arrasada. Popula��o em decl�nio h� d�cadas, bairros abandonados, casas e pr�dios invadidos, com�rcios fechados, escolas abandonadas, inseguran�a e pobreza para todo lado. 

Optaram por demolir as constru��es vazias (para tentar um recome�o), mas o defeito estava no software. Era uma morte anunciada porque, em vez de endere�ar os problemas que toda cidade tem, optaram - todos, poder p�blico e popula��o - por incentivar o espalhamento e a mudan�a para os bairros mais afastados. Como eu disse, o problema era o software.

E, se n�o sobra ningu�m para consumir, os com�rcios fecham, as pessoas e empresas v�o se mudando. A produ��o cultural definha, at� deixar de existir. 

Detroit n�o morreu por falta de infraestrutura, pr�dios de escrit�rio, atividades culturais, �reas de lazer, com�rcio ou servi�os; morreu apesar deles, por falta de gente morando nas �reas centrais. Morreu porque ningu�m quis morar em pr�dios, mas numa casinha (ou casa ou casona), sozinho num lote, e cada vez mais longe.

Se voc� j� leu alguma coisa que eu tenha escrito sobre arquitetura, urbanismo e cidades, se me acompanha aqui no Geleia Urbana ou l� no Caos Planejado, j� entendeu onde esse texto vai chegar: sim, em Belo Horizonte, cujo Centro apresenta, hoje, v�rias das caracter�sticas que Detroit apresentava 30 e poucos anos atr�s.

A prefeitura tem se mobilizado nesse sentido, � verdade, mas a eterna desconfian�a que o poder p�blico tem do mercado imobili�rio mancha - e tira a pot�ncia - de qualquer plano. A despeito da grande quantidade de pr�dios subocupados e vazios no Centro, a dificuldade de revitalizar esses pr�dios � enorme, e desanimadora. 
Mas Detroit est� logo ali, � espreita; n�o conv�m menosprezar.

Numa casa, quanto mais gente para dividir um bolo, maior o problema; numa cidade densa e vitalizada, acontece o contr�rio: quanto mais gente, mais o bolo cresce e os custos (de fazer o bolo) diminuem.
Parece estranho, mas � simples: quanto mais gente vivendo e trabalhando num determinado espa�o geogr�fico (um bairro), menor o custo do transporte p�blico; � mais gente sendo transportada ao mesmo tempo, e com trajetos menores (menores porque, com densidade e sem restri��o de uso, os empregos est�o logo ali).

O mesmo vale para a infraestrutura de abastecimento de �gua (redes de abastecimento com percursos menores), para as redes de esgoto e drenagem, internet, energia e g�s. E continua valendo para o asfalto, passeio, meio-fio, ilumina��o p�blica, placas e sinaliza��o.

Vale, ainda, para o consumo de combust�vel e emiss�o de poluentes, j� que menos �nibus estar�o circulando, mais carros estar�o nas garagens e mais gente se deslocar� a p�, ou de bicicleta (como fazem, atualmente, os europeus).

Sempre a mesma l�gica.
 
E, para quem achava que eu estava falando de mercado imobili�rio, ledo engano; estamos falando de gest�o de recursos p�blicos, produtividade, inclus�o e cidadania.
Enquanto v�rias coisas s�o reduzidas, outras podem aumentar, como, por exemplo, a quantidade de pessoas usando os parques e pra�as p�blicas, participando da programa��o cultural, usufruindo do sistema educacional, do lazer, exposi��es, museus e centros culturais, sem falar da proximidade com os hospitais e centros de sa�de. 
 
Mais importante, garante igualdade de condi��es e oportunidades, a partir do momento em que todos t�m acesso � mesma infraestrutura, l�gica igualmente v�lida para os hospitais e centros de sa�de, para as atividades culturais, para os espa�os de lazer e, important�ssimo, proximidade e acesso aos melhores empregos.
Um cidad�o “integral”.
 
E, se o munic�pio pretende perseguir objetivos como inclus�o e cidadania, s� atualizando o software.

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