
S�o Paulo – No primeiro semestre do ano, foi vendido no Brasil cerca de 1 milh�o de carros e comerciais leves do tipo flexfuel, por volta de 100 mil a diesel, 40,2 mil a gasolina e apenas 1.944 modelos el�tricos, de acordo com os dados divulgados pela Associa��o Nacional dos Fabricantes de Ve�culos Automotores (Anfavea).

A expectativa � de a demanda de �nibus, caminh�es e comerciais leves cres�a mais r�pido do que os carros el�tricos por causa de quest�es ambientais e de economia. Mas, por enquanto, a sua participa��o na frota atual ainda � de apenas 2,4%, como identificou pesquisa do Observat�rio de Ve�culos de Empresas (OVE), feita entre mar�o e abril e que acaba de ser divulgada.
O levantamento mostra ainda que 2,4% das empresas pretendem incluir em suas frotas os modelos el�tricos entre este ano e 2020. Essa taxa de participa��o pode chegar a 15,7% a partir de 2021. Contudo, 79,5% das empresas nem sequer cogitam incluir essa alternativa em suas frotas.
A DHL Supply Chain, que atua no setor de log�stica, j� come�ou a adotar os modelos el�tricos em suas frotas. A cidade do Rio de Janeiro foi a primeira a colocar o carro nas ruas. Em julho, a empresa americana passou a fazer entregas tamb�m na Grande S�o Paulo e na regi�o de Campinas (SP).
A realidade mapeada pela pesquisa do OVE e tamb�m pelos n�meros da Anfavea pode mudar, mesmo que ainda de forma gradativa, depois que o governo assinou o programa Rota 2030, em julho. Isso porque a medida provis�ria assinada pelo presidente Michel Temer, que criou o novo regime automotivo brasileiro, reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de 25% para 7% a 20%, segundo a efici�ncia energ�tica dos modelos h�bridos e el�tricos.
Havia expectativa de parte do setor no sentido de que a al�quota fosse zerada, a exemplo do que fizeram alguns pa�ses, numa forma de acelerar o crescimento da frota brasileira de ve�culos n�o poluentes. Gerente da Toyota, Anderson Suzuki acredita que as vendas poder�o ter uma rea��o com a queda do IPI para esses modelos. No entanto, ele destaca que s� mesmo com aumento da escala de produ��o ser� poss�vel ter no Brasil quantidade maior de modelos e mais op��es de e pre�os.
Regras claras
Outra regulamenta��o que poder� estimular mais investimentos � o conjunto de normas da Ag�ncia Nacional de Energia El�trica (Aneel), publicadas em junho, que tratam da recarga de ve�culos el�tricos por interessados na presta��o desse tipo de servi�o, como distribuidoras, postos de combust�veis, shoppings e empreendedores. At� agora, n�o havia regra para a instala��o dos postos de recarga, o que causava inseguran�a em quem pretendia investir.
A Aneel, segundo preferiu adotar regulamenta��o m�nima, evitando interferir na atividade e nos processos tarif�rios dos consumidores de energia el�trica, quando o servi�o for prestado por distribuidora. Na �poca do an�ncio, o diretor da Aneel, Tiago Correia, comentou a decis�o. “A ag�ncia est� eliminando eventuais barreiras para o desenvolvimento desse mercado. A norma garante que o empreendedor invista nas instala��es de recarga sem medo de surpresas regulat�rias posteriores”.
Pre�o alto � maior barreira

A regulamenta��o feita pela Aneel serviu de combust�vel para os planos das distribuidoras de energia. A EDP, por exemplo, firmou parceria com a montadora BMW, e inaugurou no m�s passado o maior corredor el�trico da Am�rica do Sul, segundo as duas empresas. Foram instalados seis postos de recarga ao longo de 430 quil�metros da Rodovia Presidente Dutra, entre S�o Paulo e Rio de Janeiro. O investimento foi de cerca de R$ 1 milh�o.
“A frota brasileira de ve�culos h�bridos e el�tricos ainda � pequena, mas acreditamos que os carros el�tricos tamb�m v�o ser o futuro no Brasil. Nesse projeto, buscamos desmistificar o que muito se ouve sobre esses ve�culos, que eles n�o podem fazer viagens longas por causa da falta de estrutura para o abastecimento”, explica Nuno Pinto, gestor de marketing da EDP Energia.
Durante seis meses, o abastecimento ser� gratuito. Depois desse prazo, as empresas v�o avaliar se passar�o a cobrar pelo combust�vel. Para o executivo da EDP, as frotas das empresas poder�o representar um bom potencial para os neg�cios. Como exemplo, Nuno Pinto cita a Prefeitura de S�o Jos� dos Campos, no interior paulista, que anunciou a troca de todos os ve�culos leves usados da Guarda Municipal por modelos el�tricos. Ser�o, ao todo, 30 unidades.
Para o gestor da EDP, o est�mulo maior veio com a portaria da Aneel sobre a instala��o dos postos de recarga. Mas a multinacional portuguesa ainda estuda como vai entrar nesse mercado. Parcerias com o setor de constru��o civil, ind�stria, com�rcio e pessoa f�sica poder�o ser uma das formas de ingresso da companhia nessa �rea.
A distribuidora CPFL Energia tamb�m investiu nos postos de recarga. Hoje tem 10 eletropostos em duas rodovias, Anhanguera e Bandeirantes, no interior paulista, unindo Campinas e S�o Paulo. Al�m disso, a empresa tem 16 ve�culos el�tricos em sua frota. Segundo Rafael Lazzaretti, diretor de estrat�gia e inova��o da companhia, a aprova��o do Rota 2030 poder� ajudar a diminuir a dist�ncia entre os mercados dos modelos com motores a combust�o e os el�tricos. Mas o pre�o desses ve�culos ainda �, na sua opini�o, a principal barreira. “Hoje � uma op��o que cresce em nichos, seja entre aqueles que gostam de tecnologia, seja os que se preocupam com a sustentabilidade”, avalia.
Lazzaretti acredita que se o mercado brasileiro tiver modelos mais baratos e o consumidor come�ar a fazer mais contas sobre o investimento, a tend�ncia � de mais carros el�tricos nas ruas. Isso porque, segundo o executivo, o modelo el�trico gasta um ter�o do que � desembolsado para abastecer o modelo a combust�o. Se o motorista de um carro flex gasta R$ 300 por semana para encher o tanque, na vers�o el�trica o valor para rodar a mesma quilometragem cai para R$ 100.
Capacidade
A preocupa��o de distribuidoras, como a CPFL Energia, vai al�m da instala��o de pontos de recarga. O principal desafio � saber que as atuais redes t�m condi��es para arcar com aumento da demanda por energia para abastecer esses ve�culos. “At� agora sabemos que a atual rede � suficiente para atender a demanda atual e pelos pr�ximos 15 anos n�o h� risco ou um poss�vel impacto no setor el�trico”, garante o diretor da CPFL.
Outra distribuidora que est� investindo no setor � a Copel, do Paran�. Julio Omori, superintendente de smartgrid e projetos especiais, concorda que o mercado ainda � insipiente. Ainda assim, a empresa investiu em um corredor el�trico, assim como a EDP e a CPFL, entre Curitiba e Foz do Igua�u. Al�m disso, a companhia tem conversado com algumas montadoras, como BMW e Chevrolet, na tentativa de buscar parcerias.
“Ao mesmo tempo que olhamos como esse mercado vem se comportando, avaliamos como ser� quando ele for maior; por exemplo, quando forem centenas de eletropontos usados ao mesmo tempo, com carga simult�nea, e ser� preciso substituir transformadores em rede”, explica.
Para Omori, ainda falta algum tipo de estimulo para nacionalizar a tecnologia empregada na cadeia dos carros el�tricos. Os carregadores, por exemplo, s�o importados. “Ser� preciso pensar esse tipo de quest�o dentro de uma pol�tica p�blica. O governo precisa pensar em um plano para o futuro”, sugere.
