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Estado de Minas ENTREVISTA

"� preciso romper com o estatismo", diz Rubens Ometto

Empres�rio defende que o pr�ximo presidente d� prioridade � reforma da Previd�ncia


postado em 09/10/2018 06:00 / atualizado em 09/10/2018 09:16

"N�o preciso falar sobre as dificuldades de se fazerem neg�cios no Brasil. � uma coisa surreal. � um tiro no p� do Brasil todo dia" (foto: Divulga��o)
Rio de Janeiro – Um dos maiores empres�rios de infraestrutura do Brasil, Rubens Ometto, controlador do grupo Cosan, sempre teve que lidar com o presidente da �poca, de Fernando Henrique Cardoso a Dilma Rousseff, passando por Luiz In�cio Lula da Silva. Agora, Ometto acha que o pa�s deve tentar um governo de centro-direita para desencantar as reformas de que precisa para voltar a crescer.

Nesta entrevista aos Di�rios Associados, o empres�rio declara voto em Jair Bolsonaro e diz que as reformas t�m que ser feitas logo no primeiro ano, aproveitando a popularidade do presidente eleito. Al�m de ser o maior produtor de a��car e etanol do pa�s, o grupo Cosan controla a Comg�s, a Rumo e metade da Ra�zen, a joint venture com a Shell na distribui��o de combust�veis.


Em quem o senhor pretende votar no segundo turno?

Vou votar no Bolsonaro. N�o vejo como � poss�vel elegermos a esquerda depois de tudo que o pa�s passou. Depois do fim do primeiro mandato do Lula, o Brasil foi andando devagarzinho pro brejo. Est� na hora de dar uma chance ao outro lado. A esquerda teve sua vez: avan�ou em algumas �reas e errou demais em outras, na economia e na corrup��o. Vamos tentar um governo de centro-direita e ver se ele rompe com as verdades estabelecidas do Brasil, o estatismo, a burocracia, a dificuldade de fazer neg�cios.

Qual deve ser a prioridade do pr�ximo presidente?

A prioridade n�mero um tem que ser a reforma da Previd�ncia, sem a qual o pa�s vai ficar insolvente no m�dio prazo. Sem um Estado solvente, podemos esquecer a sa�de, a educa��o e a seguran�a. N�o vai haver dinheiro. Olhando a coisa do ponto de vista empresarial, �bvio que precisamos tamb�m da reforma tribut�ria e de uma simplifica��o da burocracia. N�o preciso falar sobre as dificuldades de se fazerem neg�cios no Brasil. � uma coisa surreal. � um tiro no p� do Brasil todo dia.

Metade do pa�s rejeita o Bolsonaro e a outra metade rejeita o PT. S�o duas marcas que dividem o pa�s. O senhor acha que, qualquer que seja o eleito, haver� ambiente pol�tico para fazer as reformas?
N�o tem outro jeito. O pa�s est� quase ingovern�vel do ponto de vista do or�amento. Tem que haver um esfor�o coletivo. No primeiro turno, eu votei no Geraldo Alckmin. Considero que ele tinha as melhores condi��es de fazer as reformas porque � um homem s�rio, experiente, e saberia costurar as alian�as que o pr�ximo presidente vai precisar ter no Congresso. Agora, os tucanos est�o sempre em cima do muro, n�o se entendem entre eles e precisam se reinventar. � triste, mas � verdade.

Bolsonaro ou Haddad conseguir�o fazer as reformas?

Vou falar sobre o Bolsonaro. Por tudo que tenho ouvido, h� um n�cleo no Congresso disposto a apoi�-lo de mais de 200 deputados. Isso � um �timo come�o, mas vai precisar ir al�m disso, e a� eu espero que ele tenha — e acho que vai ter — a capacidade de dialogar com o Congresso, de ouvir e tentar sintetizar as reformas de que o Estado precisa e que a sociedade aceita. � muito dif�cil, vai ser barulhento, mas tem que ser feito, e tem que ser feito nos primeiros 12 meses.

N�o o incomoda que saibamos t�o pouco sobre os planos dele para a economia?

Espero que esse “casamento heterossexual” que o Bolsonaro brinca ter com o Paulo Guedes perdure durante quatro anos. Essa alian�a da ordem com o progresso, como diz o Paulo. Ele mesmo [Bolsonaro] diz n�o entender de economia. Isso � um ato de humildade louv�vel, e � por isso que ele deve mesmo escutar os especialistas. Mas mesmo que o Paulo Guedes saia, tem muita gente boa trabalhando com o Bolsonaro e muita gente que ainda n�o est� l�, mas poderia contribuir com o pa�s. Qualquer que seja o eleito, a sociedade tem que ajudar o pr�ximo governo, porque se ele n�o der certo, n�s vamos continuar afundando.

Qual deve ser o papel dos empres�rios nos pr�ximos anos?

Temos que conversar mais sobre pol�tica e ter mais interlocu��o com Bras�lia. No governo Dilma, muita gente falava, mas ela se recusava a ouvir. Deu no que deu. O empresariado tem um senso pr�tico, ele n�o � um ser ideol�gico. Ele quer o melhor para o pa�s, porque um pa�s com economia forte � um pa�s de consumidores fortes, com cidadania, no sentido mais amplo da palavra. Isso � um ponto importante: temos que continuar educando as pessoas sobre o que � ser empres�rio. A imagem do aproveitador, do sujeito ganancioso que a esquerda sempre associou a quem empreende, j� fez mal demais ao pa�s. Marx escreveu que “a hist�ria da sociedade � a hist�ria da luta de classes”. Temos que mostrar que a hist�ria das sociedades que funcionam � outra: � a hist�ria do alinhamento de interesses. Onde a empresa vai bem, ela gera empregos e pode pagar mais. Onde a empresa vai mal, voc� tem a Venezuela.

Como o empresariado deve interagir com o governo?

Falando, conversando, dando sugest�es e fazendo a cr�tica construtiva. Nunca me furtei a isso, e acho que cada vez mais h� empres�rios conscientes de que n�o podemos deixar Bras�lia no v�cuo.


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